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  • Michelle Lebowe

LOUCADEMIA TRADUTÓRIA




Comparar nosso dia a dia de freelancer com quem tem carteira assinada é como tentar achar semelhanças entre maçãs e laranjas. A turma do expediente fixo desfruta dos fins de semana, férias remuneradas e até daquela maravilha chamada aposentadoria. E nós, freelas? Somos os mestres das "férias trabalhadas" e nosso plano de aposentadoria é uma junção de fé, cafeína, sonhos e, quem sabe, uma economiazinha – se estivermos otimistas e dermos sorte.


Ainda assim, temos algo em comum: os benditos processos seletivos. Tanto CLTs quanto freelancers enfrentam esses momentos tensos, cheios de gatilhos, mas a forma como encaramos essa desgraça é o que nos diferencia.


Enquanto a maioria foge de ser colocada sob a lupa, ter suas habilidades e experiências avaliadas como se evita a peste - pelo menos até que precise mudar de emprego para conseguir um aumento - ser demitido, ou que simplesmente decida virar a vida do avesso, NÓS FREELANCERS MERGULHAMOS DE CABEÇA NESSES DESAFIOS TODO SANTO DIA.


É sério!


"Como assim?" você deve estar pensando. Me acompanha nessa viagem, seja ela pelo vale das sombras ou pelos campos elísios, a depender do seu ponto de vista.

Na teoria, deveríamos estar atrás de clientes DIARIAMENTE. Digo "na teoria" porque, na prática, bom... Mas o negócio começa com o envio de milhares de currículos, algumas entrevistas aqui e ali, e quase sempre, aquele teste de tradução. É nossa Olimpíada particular, só que exigindo mais do cérebro do que dos músculos.


Cada teste é uma surpresa, tipo aquela prova sem aviso da escola. Lembra? Bom, como o Forrest Gump diria, " um teste de tradução é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que vai encontrar". Pode ser que você arrase ou que simplesmente trave. Cri, cri, cri...


Aliás, já falei sobre a lei do inversamente proporcional envolvendo a importância do cliente e a nossa inteligência no dia D? Pois é, quanto mais importante o cliente, mais a gente parece que deu tilt.


Gente, é uma montanha-russa de emoções. Um minuto você tá quase sendo internado, e no outro, tá dançando pela sala porque passou no teste e conseguiu um cliente novo.


Sim, isso pode deixar qualquer um à beira de um surto, dá insônia depois de enviar um teste para aquele cliente dos sonhos. E quando a resposta demora, bate aquela paranoia de "será que deram um vácuo?". Aí começa o questionamento existencial sobre nossas habilidades, experiências, e até as escolhas de vida.


E no começo da carreira, então? Esperar por uma resposta é como estar preso num loop de pesadelos, acordando de um para cair em outro.


Qual pesadelo? Aquele em que você acorda, corre pro computador, checa os e-mails e...

nada. Repete tudo de novo. Só falta ouvir “Um, dois, Freddy vem te pegar”.


Esses primeiros testes são como primeiros dates: inevitavelmente estranhos. As risadas nervosas (muitas vezes por imaginar o pior cenário possível, com contas vencidas se acumulando, aviso de despejo, e só água e queijo mofado na geladeira). Acredite, quase todo freelancer já passou por isso, mesmo que só tenha ficado umas horas sem receber novidades por e-mail.


Aí tem aquele silêncio constrangedor, aquele medo de não passar... Mas, com o tempo, algo incrível acontece. O que antes dava medo agora excita. Virou quase um prazer, aquele desejo de "quero mais". Cada desafio é uma chance de brilhar, e cada aprovação é tipo um joinha do universo.


E quando finalmente vem a aprovação? Meu amigo, é um coquetel de adrenalina, dopamina, serotonina e endorfina que dá um mega barato!

Mas...

Ó, pera lá.


Não é desse tipo de "barato" que eu tô falando, viu? Limpa essa mente! Eu falo de ficar eufórico, cheio de si, orgulhoso das próprias conquistas. Prestenção!


Nesse nosso mundinho, a gente ama odiar e odeia amar essa bagunça. Viu o paradoxo? Sim, somos meio desajustados.


Mas seguimos firmes, viciados nesses altos e baixos, entre gritos de alegria e desespero, mas sempre no vício.


Esse ciclo de prospectar clientes e provar nosso valor vai além de um mero dever. Vira o cerne da nossa vida freelancer. Nos desafia, nos motiva, e vamos ser sinceros, deixa tudo mais interessante.


Para quem vê de fora, nossa rotina pode parecer um filme de terror, mas pra nós é só mais um dia no paraíso. Somos tradutores, seres únicos e diferentões que se divertem até com o caos. Aliás, quanto mais caos, melhor. Basta um papinho pra sentir nossa vibe.


Ser tradutor freelancer é como estar naquela fase da mina do Donkey Kong, achando que tá tudo tranquilo até que o trilho some e você tá lá, se virando pra não cair no abismo. Mas ó, é essa adrenalina que a gente adora.


Amamos nosso trampo, e essa aventura cheia de reviravoltas é o que nos mantém vivos – ou eternamente ansiosos, o que na prática dá no mesmo.


Pra alguns, pode parecer caminho certo pra um infarto prematuro. Pra nós... bem, também é, mas quem disse que a gente quer outra vida?


Então é isso. Passamos longe dos benefícios CLT, mas não trocaríamos nossa liberdade por nada. Esses testes e avaliações sem fim são o que nos mantém na ponta dos pés, mostrando que não estamos só sobrevivendo, mas dominando essa loucademia tradutória, um surto, uma risada, um suspiro, uma falta de ar, um ataque de pânico e uma conquista de cada vez.


Ah, é! Quase esqueci.


Tudo isso foi só pra dizer que foi dada a largada da Maratona Tradutória 2024.  Recebi minha primeira aprovação e cliente novo do ano. Uma felicidade gigante – mesmo que tenha custado 10 unhas roídas e uma cabeça quase careca de tanto estresse.


Que a sorte esteja sempre a nosso favor.


Axé!

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